Mostrar mensagens com a etiqueta InSónias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta InSónias. Mostrar todas as mensagens

1 de agosto de 2016

Amesterdão e eu

De regresso a casa e a fazer um balanço do que foram estas férias para mim. Decidi não escrever tudo no mesmo post porque há muita coisa para dizer que não pode ser deixada de fora, houve muita coisa sentida que deve ser documentada para que eu possa ler vezes e vezes sem conta e não esquecer tudo o que estas férias me trouxeram.
Amesterdão é diferente de tudo o que conheço, diferente do Porto onde cresci, diferente de Paris onde vivo, diferente de tantas outras cidades que conheci e amei, cada uma à sua maneira. Amesterdão "confundiu-me" a princípio, talvez seja a sua energia "abafada" e "contida", talvez seja por estar abaixo do nível do mar, o certo é que nunca havia sentido nada parecido ao que lá senti. Tudo é bonito em Amesterdão mas não é o mesmo bonito de Paris, Paris eu diria "bonito realeza" e Amesterdão "self-made bonito", pequeno, acolhedor, prático, útil, são todas palavras que me surgem ao pensar na cidade dos canais. As casas de tijolo inclinadas com as suas portas pintadas e os sinais de proibição de estacionamento de bicicletas. As pequenas lojas que vão surgindo e nos revelam o empreendedorismo que vive no sangue dos Holandeses, a decoração "clean" e próxima da natureza que tanto me atraíram e que contrastam tanto com a beleza perfeccionista das montras de Paris. As lojas de Amesterdão respiram cores pastel e artesanato urbano, uma delícia.

Se observarmos com o coração aberto podemos sentir a poesia que emana dos canais, das bicicletas presas nas pontes, dos cestos que as enfeitam com flores artificiais, das campainhas que ouvimos como ruído de fundo ao longo do dia. Essa poesia que nos faz sonhar com tempos antigos de um povo que conquistou terra ao mar e que sozinho se fez e se vai fazendo, marinheiros, povo do mar, como nós, Portugueses. O engenho que pude testemunhar no seu sistema de diques e canais e a simplicidade do mesmo, conquistou-me e se dúvidas existissem, a simpatia com que fui agraciada em vários momentos deu-me uma Amesterdanite (paixão aguda por Amesterdão e as suas gentes). E então no final das minhas férias assumo que sofro desse mal e que o meu coração pertence a mais um pedaço de mundo.

Amesterdão parece-me seguir as pisadas dos seus antepassados marinheiros sendo um porto de chegada para pessoas de todas as cores, interiores e exteriores. A zona antiga da cidade continua a ser a taberna dos marinheiros que chegam e procuram o esquecimento, qualquer tipo de esquecimento e entorpecimento, do mar, dos mares, dos capitães, deles mesmos.

Há tanto que poderia dizer e ainda assim tanto ficaria em falta. Amesterdão faz-nos acreditar que somos capazes, que os sonhos são alcançáveis, que a Arte é um modo de vida, que a vida é feita para viver e que se for preciso conquistamos terra ao mar.

21 de junho de 2016

Meu Porto, Meu Portugal

Este fim-de-semana fui ver o jogo de Portugal ao estádio. Não foi a minha primeira vez num estádio mas foi a minha primeira vez com a selecção. Quando vivia no Porto entre os 18 e os 20 talvez, tive uma fase de adepta ferrenha do FCP ou fêquêpê com a pronúncia da minha terra. Quando me mudei para o Algarve com 21, continuei a ser adepta ferrenha mas mais pela minha terra do que pelo clube em si. Sempre senti o Porto de uma forma intensa, cheio de arestas e asperezas, com uma energia de luta a roçar a agressão mas sem lá chegar verdadeiramente. O Porto bebe-se assim nas suas ruas de paralelos, nas roupas a secar nas varandas, nas janelas e nos estendais que alguns bairros ainda conservam. O Porto é barulho de panelas na noite de Ano Novo, o Porto é comida, união, resposta na ponta da língua, ajuda desinteressada ao estranho que se perde nas ruas da cidade. O Porto é abrir as portas a quem connosco quiser comer sentado à nossa mesa e partilhar das nossas histórias regadas a palavrões e situações engraçadas. Nós do Porto temos um sentido de humor bem afiado, quando é preciso espeta no sítio certo, quando é preciso acalma ânimos e dá lições. O meu Porto é assim. Pulsante, cheio de energia, não é calmo e mesmo quando parece basta observarmos os velhos sentados nos bancos de jardim e perceber a vida que pulsa no bater das cartas, no silêncio das suas jogadas, nos seus pensamentos que se elevam sob as árvores centenárias que protegem e acolhem esta energia tantas vezes incompreendida. O nosso sotaque é tão somente um reflexo dessa energia e um exemplo dessa incompreensão, somos gozados e conotados de parolos e tripeiros e muitos de nós têm vergonha desta pronúncia do norte quando o que deveríamos sentir era orgulho, um orgulho imenso e desmedido por se sentir na voz tudo aquilo que a nossa terra encerra, guarda e aguarda. A pulsão mágica do norte, do Douro que serpenteia por entre as encostas que aprendemos a respeitar e desse respeito nasceram as vinhas e os seus vinhos. A pulsão mágica do desembocar do Douro no Atlântico e onde o nosso sotaque grita de alegria e extâse numa dança sibilante entre ninfas e sereias. Esse mar que abraça as nossas águas doces e as salga com a sabedoria que só o mar tem, nesse desembocadouro podem-se ouvir histórias antigas, tão antigas que a memória não as consegue alcançar e então elas perderam-se da memória dos homens, mas, o mar e o rio guardaram-nas e elas estão lá para quem as quiser ouvir, basta querer, basta aceitar aquela força que nos parte em dois se não formos humildes e nos eleva nos ares se a aceitarmos tal como ela é, tal como nós somos. O Porto é assim, dá-te a mão e leva-te aos céus se não tiveres medo das tuas cores, abraça-te na sua rudeza e dá-te um colo tão forte quanto o granito do seu chão. O amor do meu Porto é assim, as gentes do meu Porto são assim, mãos calejadas, coração calejado, sulcos no rosto, aventais na cintura, viúvas trajadas a preto, capas negras estudantes, homens de chapéu, velhos nos bancos de jardim, iscas e azeitonas, copos de vinho, pregões que acabam em "ão" e vida, muita vida, vida vivida de dores e gargalhadas, altas, tão altas, gargalhadas e dor misturadas num coração que se abre mais e mais e gosta de gente como a gente, gente que chora, come e ri com a gente, nós somos assim, nós os do Porto, os do Norte e percebi que quando era do Porto clube, não era realmente do clube, tal como não sou da selecção, Eu sou do Porto, de Portugal. É isso que me faz vibrar, foi isso que me fez chorar enquanto cantava o hino, sou de Portugal e sinto a falta de nós, sinto a falta do Povo que senti nos versos daquele hino que agora só usamos para o futebol, sinto a falta do Povo que se cumpre nessa terra que eu tanto amo e da qual faz parte a minha cidade, o meu Porto, o meu coração. Portugal, se eu apenas vos pudesse fazer sentir o que eu senti com aquele hino, se vocês apenas soubessem do que são feitos, todos vocês, portugueses do meu Portugal.


25 de dezembro de 2015

O Natal da Xana

O meu nome é Sónia. E o meu nome é Xana. Não tenho um preferido, gosto dos dois mas cada um tem a sua história e a sua sensação em mim. Sónia durante muito tempo era para a escola e o para o mundo. Xana era para a família e para os amigos que cresceram a ouvir a minha família chamar-me Xana. E o Natal para mim é Xana. Toda esta época do ano é Xana e Xana e Xana. 

Eu não sei o que é o Natal para vocês mas eu sei o que é o Natal para a Xana. O Natal para a Xana é uma casa cheia, duas casas cheias, três casas cheias que se misturam entre elas num fluxo muito próprio que não obedece a regras de circulação ou de etiqueta. É um bairro no meio do Porto. É a melhor e mais esperada noite do ano. É um irmão que discute comigo para ver de quem é o presente maior. O tamanho sempre foi importante para nós. A vitória do presente maior antes da meia noite era algo que exaltava ânimos. "Pai, o maior é o meu não é? Mãe, diz-lhe que é o meu!" Era assim até saírmos de casa. Naquele Natal o presente maior foi do meu irmão, uma casa da Playmobil. O meu? A cara do meu irmão a abrir o dele. O estado de choque que sempre o assomava, as lágrimas que ele não aguentava. O meu irmão é um chorão de Natal, um lindo chorão de Natal.

O Natal são pais cheios de recursos, recursos para encontrar um esconderijo diferente para os presentes de Natal TODOS os anos senão alguém ia tentar descobrir o que era.

O Natal é o descer da rua até ao bairro, subir as escadas do bloco da avó, passar na casa da ama, encontrar as pessoas de sempre.

O Natal é gente barulhenta. O Natal é gente que diz asneiras e se ri das asneiras que diz (isto é MUITO importante). O Natal é a casa da ama com o resto da família, os formigos que ela fazia para a Aninhas e que até à semana passada era só uma aletria mais escura, a Sãozinha com aquela sensação de irmã mais velha, o Bú com o ar mais ar de Bú que alguma vez se viu, a Aninhas que resmungava tanto mas não resistia às beijocas da Xana, os postais que a Ama punha no pinheiro e que me faziam pensar em como ela deveria ser uma pessoa especial para tanta gente lhe escrever, os enfeites de Natal que pareciam sempre enfeites de S.João, o amor.

O Natal é a casa da avó também. E as escadas que ligam estas duas casas. E as duas famílias que entram e saem sem pedir nem perguntar. São as portas que já ficavam abertas para facilitar a tarefa. É a Olivinha com a sua broa frita e os sonhos. O senhor Veloso que era o homem mais alto do mundo

O Natal é a avó que "mandava" em toda a gente, a avó regateira. O  Natal é o avô Manel a mostrar a aparelhagem "última moda" que comprou e a letra desenhada que só ele sabe fazer nas etiquetas dos presentes. O Natal é uma tia com uma gargalhada estridente, agora que penso nisso, todos temos uma gargalhada estridente, daquelas que a piada ainda não acabou e já está a saír. O Natal é um tio que divide comigo o queijo da Serra, um queijo só para nós. O Natal são os frutos cristalizados que só eles comem. Natal é um primo cenoura, o meu primo cenoura, mais ninguém tem um primo cenoura como eu e eu orgulho-me disso, mais ninguém tem um primo cenoura que faz o pino em cima do sofá e que conhece tantas músicas que me dá vontade de ser como ele, o meu primo que recebeu uma caixa dentro de uma caixa dentro de outra caixa e mais outra caixa e na caixa mais pequenina estava uma chave e o meu primo sorriu, sorriu muito e eu vi o Natal em toda a gente que sorria com ele, eu vi o Natal em mim enquanto eu sorria sem perceber muito bem o que significava receber um carro no Natal, mas eu tinha a certeza que era muito bom porque eu fazia aquela cara com as Barbies, sim, eu vi o Natal quando ele foi à janela ver o carro branco que ele conduziu durante tantos anos. Acredito que aquele carro durou tanto porque veio com amor e o amor é assim, faz com que tudo resista, tudo dure, até os carros brancos. Eu vejo o Natal nos olhos azuis do meu primo cenoura quando ele olha os olhos cor de azeitona da minha prima L. Eu vejo o Natal nela quando ela sorri ao ver o Natal em nós.

O Natal é outra tia ainda, uma que eu ansiava conhecer e que um dia vi desabrochar e nesse dia quente e longe da Invicta, foi Natal. A minha tia com cheiro a Sol, a Sol e a sal. O meu Natal é um tio que traz o Natal silenciosa e naturalmente de cada vez que joga futebol com a minha prima, quando sem sequer damos conta anda sempre por perto a ver o que elas precisam, eu vejo o Natal em cada um desses momentos e vi o Natal quando ele riu como uma criança enquanto jogava consola comigo. O Natal são as minhas primas pequeninas, as respostas acutilantes da mais nova e o deslumbramento da mais velha enquanto me via maquilhar naquele Natal fora de horas, o meu Natal é vê-las crescer por dentro e por fora e sentir o meu coração encher com cada história, com cada conquista, com cada fotografia.

O Natal é um pai que desenhava o tio Patinhas só a olhar para os meus livros de quadradinhos, é um pai que esculpia moinhos em pedaços de espuma, é um pai que me trazia comida para provar enquanto ele cozinhava.

O Natal é uma mãe que faz tapetes de arroiolos sem ninguém lhe ter ensinado, uma mãe que ouvia música nas alturas enquanto arrumava a casa, uma mãe que volta e meia mudava os móveis todos de sítio.

O Natal é um irmão que só conseguia adormecer quando eu lhe dava a mão, um irmão que desenhava ainda melhor do que o meu pai, um irmão que eu ensinei a sambar e a dançar rumba, um irmão que tem um "crazy mother fucker mode" tal como eu.
Natal é farrapo velho na manhã de dia 25.

O Natal é alguém especial que me diz: "que cheiro bom, cheiras a casa".
Natal é escrever estas coisas todas a pensar em vocês e nos vossos sorrisos enquanto lêem o meu Natal. Natal é vocês serem assim, tão imperfeitos que me matam de amor. Bebam uma jerupiga por mim e continuem a fazer o meu Natal, acreditem que por cá eu estou a fazer o vosso, só ainda não consigo comer fruta cristalizada.
Amo-vos

Feliz Natal
Xana




13 de dezembro de 2015

Embaraçante sem "e"

Puta que pariu as insónias! No auge dos meus 34 anos estou sentada no sofá às oito da manhã a escrever merdas no computador. Ora puta que as pariu! Pareço um caso desesperado visto num qualquer filme rafeiro de domingo à tarde: aqueci a água na minha bouilloire, peguei na minha chávena favorita e pus a mesinha aqui ao meu lado, cházinho (leva acento?) e bolachinhas, a sério?! A sério... e lá fora ainda está escuro o que ainda piora mais toda esta situação de deambulação pela casa (mentalmente estou a rir às gargalhadas com esta cena da deambulação, um dia explico). Puta que pariu as insónias, ainda mais estas que têm um cunho criativo.

Não gostas de asneiras? Pffff havias de ter conhecido a minha avó, ela sim, sabia dizê-las como ninguém, dar-lhes forma, formato e número, entoação, gradiente e função, a minha avó sim, era a Senhora das asneiras, eu não, eu sou só uma aprendiz que ficou a meio do estudo e de vez em quando lança assim umas para o ar tentando no mínimo roçar os calcanhares da Bininha. Ela sim, sabia dizer asneiras como uma lady. Talvez um dia eu seja capaz de o fazer também e pôr os meus netos a rir como ela punha, por enquanto, puta que pariu as insónias!

E sabes o que é que me irrita ainda mais? As pessoas que conseguem dormir enquanto eu estou aqui, acordada e em alerta máximo com a adrenalina a "bombar-me" na cabeça! Sim, o babe dorme, “ca puto de nojo” me mete! Aqueci a água, mexi nas gavetas (mexi bem nas gavetas!!!), fui à casa-de-banho e puxei o autoclismo, nossa!!! Pára tudo! Autoclismo não vos faz lembrar cataclismo??? Estou toda fodida... o mais incrível é que neste caso o nosso autoclismo é quase um cataclismo, já andaram de avião? Sabem o barulho do autoclismo do avião? Certo... o nosso é assim e apesar disto tudo o moço vira para o outro lado e ainda dá o ronquinho do escárnio!!! Eu vejo isto como a maior falta de solidariedade para comigo! E nem vou falar da falta de respeito, vou ficar só pela falta de solidariedade, só tinha de se levantar e estar aqui sentado comigo no sofá a dar-me a mão enquanto eu sofro de falta de sono.

Dá tempo de ouvir o vizinho a tomar banho, o outro vizinho a abrir as persianas, os carros que vão passando lá fora, as teclas do portátil que nesta situação assumem um sonoro incrível, como, mas COMO É QUE AQUELE MOÇO CONSEGUE DORMIR??? Olho para as paredes, penso no milhão de coisas que tenho por fazer e mais nos dez milhões que ainda quero começar a fazer, penso no A, no B e no C, penso naquele momento realmente mbaraçante que me faz encolher os dedinhos dos pés, fico com vontade de fazer panquecas mas não posso porque o moço dorme e a casa tem 18m2 (alguém sabe se dá para escrever o dois como expoente?). Pronto e agora carreguei aqui numa merda qualquer que se quiser voltar atrás para corrigir alguma coisa o cursor come as letras que estão à frente, oh cum caralho!!! Olha, embaraçante vai ficar mesmo assim, sem “e”.

10 de novembro de 2015

A sábia

Era uma vez uma sábia muito sábia que do alto do seu castelo contemplava as nuvens e os pássaros e via como as nuvens às vezes podem ser pássaros e os pássaros às vezes podem ser nuvens. Do alto do seu castelo ela observava o que se passava em cima e em baixo e também o que se passava dentro.  A cada nova descoberta assomava-se de espanto e admiração, sentia de todas as vezes uma profunda satisfação pelo conhecimento ganho, pequenos grãos de areia que ia juntando num montinho. Lá do alto do seu castelo ela via as pessoas lá em baixo, lá em cima e à sua volta. Sentiu dores, alegrias, paixões que queimavam até à morte e amores que acalmavam sedes eternas. Analisava, sentia, pensava, questionava, duvidava e esperava. Esperava que a solidão de saber terminasse. Esperava que a solidão de perceber fosse aplacada. Esperava que a solidão de sentir o mais negro dos negros e a luz mais luz se esvaísse por entre as suas narinas. E esperava. E esperou. E sentia saudades. Saudades de um abstracto completo, de um imperfeito perfeito. Tantas saudades como o mar que é só nosso, tantas saudades como o fado que embala a noite dos poetas sofridos. Saudade, tanta saudade. E ela esperou e preparou-se, preparou-se sem saber mas sentindo, foi-se despindo de medos que jamais permitiriam que ela matasse as saudades mas guardou outros que só poderiam ser salvos se a saudade terminasse. E ela esperou e chorou enquanto esperava. E ela esperou e sorriu enquanto esperava. E um dia ela sentiu o formigueiro na ponta dos dedos, sentiu excitação no coração, sentiu o estômago embrulhar-se com a perspectiva de um encontro, de um momento. E ela foi sem saber como ia ser mas sentindo, abafou todas as expectativas e quase todos os medos e foi. Sentou-se e conseguiu dizer o que há muito se calava na voz, tenho saudades. Tinha tantas saudades. Doeu-me tanto aqui chegar. E a sabia percebeu que também era velha, velha de saudades, velha de dores, velha de lágrimas e num raro momento deixou de lado um dos seus medos, o de ser velha e sábia. E no círculo de retalhos sentiu um lugar que não era de ninguém e não podia ser de qualquer um. Sentiu o seu lugar. Não era de mais ninguém era seu. Não o roubou nem substituiu ninguém, era apenas o seu com o encaixe perfeito do seu sentir, da sua dor, da sua alegria, dos seus medos, dos seus dons, das suas falhas, das suas cores. Ela sentou-se e olhou em volta e fez o que melhor sabe fazer, observou e sentiu e analisou e chorou e sorriu. Sentiu as sombras e a luz, a impaciência e a perseverança, a dor e o amor, a revolta e a aceitação, a incompreensão e a compreensão, o medo e a fé, a raiva e o amor, a solidão e o aconchego, a dúvida e a questão, a vergonha e o desembaraço. E não teve medo de sentir. E não teve medo de se deixar sentir. Sentiu-se pequenina e sentiu-se grande. Embalou e deixou-se embalar. E no fim só um pensamento, ESTOU ESPANTADA! Estou profunda e imensamente espantada. Grata a cada uma das partes deste corpo por ser, fazer e sentir. Grata a cada uma das partes deste corpo por ocupar o seu lugar. Grata por terem cantado tão alto que do topo do meu castelo eu ouvi-vos chamarem por mim. Ahei!

9 de janeiro de 2010

Good morning beautiful!!!

Today woke up with this wonderfull fealing. I woke up believing I could fly! Could this be? Maybe I already am... took a look outside and the sun is shining! God, what a wonderfull fealing. Feel like I could "die" this very moment. Hmmm Are we "dying" already? Lately I'm feeling like a little child, always asking: are we there yet? Are we there yet? Are we there yet?

My beloved friends hope to be around you while these extraordinary fealings are pouring out of my skin. Hope to be able to give you ALL THE LOVE I'm fealing because I'M TRULY EXPLODING.
At first i thought it would leave me after a day or two, but it's been 4 days now, and I'm still craaaaaaaaaaaazy. LOL So just to say I've got free LOVE refills to each one of you.


LOVE, LOVE, LOVE, ALL YOU NEED IS LOVE!!!!!

17 de dezembro de 2009

Sunrise

Traz-me a música e as cores. Deixa-me conhecer o interior deste invólucro. Quero espreitar o que se esconde por detrás daquela caixinha azul. Vou voar, vou voar quando encontrar o segredo guardado bem no fundo de uma caixinha. E assim vou caminhando, passo aqui, passo ali, um sorriso, uma lágrima, mas cada vez mais no caminho daquela floresta tão amada e tão procurada. Assim, simplesmente assim. Vou encolher-me, bem quietinha neste pedacinho de céu, vou fechar os olhos e chorar um bocadinho. E sentir aquele calor bom por te reencontrar, espera por mim, estou a caminho.




13 de dezembro de 2009

...

Kissing the moonlight, wishing I could fly. Whispering dreams, flowered nights. Lifting up in the air, above and above. Grasping the clouds... hoping I could fly. Sailing above and beyond, what could I say? What should I say? Stay still... just stay still.



6 de dezembro de 2009

O Sol em cartas

Que melodia é essa me trazes? Que melodia é essa que me encanta e desencanta? Triste o destino daqueles condenados a cruzarem palavras por breves segundos, triste o nosso destino que enquanto um se levanta o outro se deita a repousar. Feliz a coincidência de sermos estrela e satélite, estrela do teu caminho, satélite da minha noite. Subimos aos céus todos os dias e todas as noites, brilhamos em força conjunta, sinergia planeada e sincronizada, alteramos marés, influenciamos a vida. Felizes com o caminho, "tristes" com a sorte da solidão eterna que nos premeia a caminhada. Cada vez brilhamos mais, cada vez somos mais solitários. Acordo cedo para brilhar em ti... deitas-te tarde para brilhares em mim. Assim seguimos caminho, destino, missão, palavras escritas nas estrelas por nós há milénios... poesias soltas em forma de pó que caem sobre o mar que amamos. Sejamos assim, eternos em nós, eternos na vida, eternos no mundo. Sejamos então.





"TEMPESTADE"

Hoje sinto que vou explodir, não sei de quê nem porquê. Não é uma sensação boa, mas também não é má. Parece a mesma de há uns tempos que me diz que algo está para acontecer, será? Estou a fervilhar de energia, de pensamentos, de sensações. Que vontade imensa de voar, de me transformar, de explodir em milhões de confettis e pousar num manto de neve. Que vontade de ficar em silêncio e Amar. Que vontade de ser uma Árvore no vento e chorar os meus ramos partidos, cravar as minhas raízes no chão e gritar: EU SOU! Com uma voz grave e profunda, quente e eterna, carregada de toda uma sabedoria milenar. Quero voar. Deixem-me voar... deixem-me criar... permitam-me brilhar...

Under the gun - The Killers

19 de novembro de 2009

This is the world that we live in

Sonha com dias alegres, sonha com dias cor-de-rosa. Sonha e faz dos teus sonhos a tua realidade. Se um dia pensares que o sonho é mentira, acorda, pois estarás a sonhar. Cheira o vento, abraça o nevoeiro, conta histórias às pedras e sorri. Sorri para quem quiseres, sorri para ti, sorri. Passeia na chuva, torna-te criança e sonha uma vez mais.
Nada além de ti poderá alguma vez ditar as regras da tua caminhada. Nada para além de ti poderá dizer quem és. Nada para além de ti poderá comandar os teus sonhos e a tua verdade.
Estou feliz, e não aguento de tanta felicidade, pudera eu transportá-la até ti, pudera eu dizer: toma uma bolachinha de felicidade. É o meu sonho, transbordar felicidade por todos os poros e contagiar o vento, as flores, o mar, o céu e a terra. E assim te deixo, com um pedacinho do meu estado cor-de-rosa, na esperança que ele te atinja e te contagie.



3 de novembro de 2009

Acordei

Acordei sem esperar o que me esperava. Sorri por perceber o que jamais percebi. Observei o que por tantas vezes ignorei. E sorri com esta inquietude que se apossa do meu íntimo. Sorrio e aqueço cada pedaço de memórias que hoje se encaixam numa tela de magníficas cores. Derreto os contornos e dou-lhes os retoques que me parecem necessários. Sou. Eu Sou. E não mais fugirei.





15 de setembro de 2009

Smiling







Do you believe in yourself? Do you believe in that "quiet" voice inside you? Have you ever stoped just to listen to what she has to "say"?






I used to ignore it. I used to pretend it wasn't there. I didn't realize that all the pain and loneliness I felt was because I covered my ears with my hands... I didn't realize that I had a blur in my vision... and in my heart. But now, looking backwards I understand that it had to be just like that. I had to stumble and fall so that I could wake up and be able to see everything... because untill then I was "blind".






Today I smell the sun and taste the trees. Today I listen to the moon... so I really hope that all of you can feel this. I just hope that this endless state of joy reaches all of your hearts and make you smile. Turn off the lights. Listen to a beautiful song and "dream". Fill your chest with love and joy and spread it to each and every single cell in your body. Lay still, smile, fly. Let it burst out from your heart and take it to everyone you know, your family, your friends, your neighbours and all of those people you walk by everyday. Give them a smile. You could change everything with a simple smile.






So for now I give you all of my smiles and the joy I feel.






Hope you'll always be able to smile even when the tears are exploding in your eyes ;)


Freedom



When you arrive everything goes away and the world closes itself for a while, I'm able to breathe. The air gets thinner and my shoulders hurt no more. Everything's Peace, enverything is Light that comes through an open door. The room contracts and dilates, it comes to life. It breathes with me and embrasses me on its lap. I'm not crying anymore, I'm just listening to this smooth pulsate that brings me back to the day I wasn't born yet, to the day I already existed but wasn't still here. I reach out my arms and I'm able to touch you, the Light gets brighter, warmer and even more still. I start to fly as if I were inside an aquarium, but I don't feel caged, on the contrary, stretch out my body and make a swirl. I'm smilling. And the room contracts and dilates even more. More air, I need more air. I'm flying. My hands are warmer and warmer and I'm able to fly even better, more agile, less effort, more flexibility. It's so simple, you just have to breathe. I get out to the Light and look backwards. I'm not sad. I know I'll come back, but for now I must fly, spin, float. I don't cry. I'm flying above the trees, under the moon. And everything is simple, mathematical and terribly logic. It's me... the Dragon... the Eagle... the Owl... the Goose... fying, flying. I saved the Dolphin and the Panther loved me. Everything as it is, everything as you feel. Made a nosedive and smiled once again. And the Earth vibrates, and the Earth pulsates, Everything as it is, Everything as you feel.

Chrysalis

Once upon a time a small caterpillar was sitting on a branch of an ancient sequoia. She just had been there for ages. She stared at the horizon and wasn't able to do anything else.
Then came a day that the Wind decided to talk to her. He thought: "why does this precious creature lays on that branch with such sadness in her eyes?
"He whispered the question to the caterpillar. "Precious? Oh no, I'm not precious, I'm just a caterpillar...
"Then the wind blew a soft breeze and told her: "Little one, even the most uggly creature keeps in itself the most precious being, everything is the way it's meant to be, even you. Some day you'll blossom and be able to spread your wings in the same horizon you stare at. Some day, you will be the horizon.
"The caterpillar couldn´t really believe those words and started to get more and more lonely while she whised to be close to the horizon, close to the sky, close to the moon...
She closed herself in a cocoon because she just couldn't stand the pain anymore. The days went by and she started to miss the moonlight. She tore the cocoon and got out, but something had changed. But what could it be?
So the Wind came again: "come to my back Little one". And took her to the moon, "How is this possible", she thought. Oh, what a joy, finally... she made it. And all of a sudden, the Wind dropped her, and she was now falling, so fast, so hard... "open your wings" he said. "What wings, I don't have any wings!!!
"She was still falling... and the the moon spoke: "Truste me please, open your wings Little one, let your self go, fly, come to me
"And so she did it, she believed, she had faith and her wings just opened in the last second.

The Silence between us







Today I woke up with a weight on my chest. We all talk about wonderfull fealings, peace and light, but it's not always like that. There are days that some sort of anxiety invades us... there are days that become darker than nights. This is our reality. These are the stones in our path. But even though they are hard to remove we should smile. The stones and the icebergs that come upon our paths make us evolve. They are the true responsibles for our evolution. They are the real blessings for us all. Just embrasse these precious gifts and smile, smile because you're on the correct path. Once you're able to understand, a new world will open in front of your eyes.

So today I say, I woke up with a weight on my chest, something is hurting me quietly, but still I'm smiling... I'm on my way... even though right now the silence is between us... I keep smiling.

Silent Love


Some things are difficult to put into words or maybe they're just not ment to be closed in words. But I'd like to give you a glimpse of something truly special. I've just found the secret place in my heart. Somehow I crashed into it. Well, I sort of know how it happened, but it'll be my little secret :p. Well, the thing is, there is no major "science" behind it, no major event, nothing that you are able to look at and say: this is it. It's the opposite, it just happens in the right time in the right way (even if it doesn't seems right). And the most important lesson I was able to take is that it's not the end, just a small beggining. We spend the most part of our lives waiting for that "big bang" and when it arrives you realize it's just a itsy bitsy of a beggining. It's the most wonderfull fealing in the whole Universe, it's the most powerfull "drug" you could have... Love, pure and simple Love. Don't give up, be patient it will come to you, when the time is right.
I will treasure in my heart that moment, it will be mine... just mine. Thank you so very much for the moonlight...