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6 de maio de 2016

Bosque de Boulogne

5 de Maio é feriado em Paris, festeja-se o dia da Ascenção e como o Sol decidiu agraciar-nos com a sua presença decidimos partir à exploração de mais um bocadinho da cidade. Desta vez escolhemos o Bosque de Boulogne e assim ainda podíamos "piquenicar", porque não? Uma das coisas que mais me surpreendeu quando aqui cheguei foi a forma como os parisienses de gema ou não, aproveitam os espaços verdes que têm à disposição. Nós, os portugueses do litoral pelo menos, temos a praia, usufruímos dela o mais que podemos, mas os parques, os espaços verdes, acabam por ser deixados para os velhotes jogarem cartas ou ficarem ao abandono e se alguém pensar em ir comer ou apanhar Sol na relva é parolo com toda a certeza. Pois aqui é precisamente o contrário, os espaços verdes são um luxo e são usados e abusados em cada bocadinho livre que estas pessoas tenham, seja para comer um sanduíche na hora de almoço, seja para apanhar Sol em biquini ou mesmo cuecas e soutien. Estão a imaginar isto no Jardim d'Arca d'Água? Na Cordoaria? AHAHAHAHAHA certo...

O bosque de Boulogne é gigantesco! 846ha que eu espero conquistar por partes, desta vez ficamos pelos lagos, são dois, o inferior e o superior, no inferior tem ainda uma pequena ilha que é apenas acessível por barco. A travessia de barco foi bastante interessante uma vez que quando entrei no barco eles decidiram que não ia entrar mais ninguém então fui sozinha o que se traduziu em cerca de 30 minutos de espera que eu optimizei a arranjar um esquema para não pagarmos os bilhetes do barco, sou portuguesa, está-me no sangue.

Quando chegamos à ilha trocam-se as toalhas de piquenique e as sandochas da outra margem pelo baton vermelho, os saltos altos, os sapatos de vela e a calças com a dobrinha, eu nem sei como é que eles chegaram ali, mar táxi (quem não sabe o que é um mar táxi?)?

Depois de dar 5€ por uma água com gás num copo de plástico decidimos dar por encerrada a aventura para grande pena minha, não consegui explorar a ilha e uma casinha toda catita que tinha por lá. Da próxima vez!

Métro:
  • Linha 10 - estação Porte d'Auteuil
O hipódromo fica situado no bosque de Boulogne e nos dias em que não há corridas pode ser visitado e fica a caminho dos lagos. Ah!!! Gratuito!!! 

Hipódromo

Lago Superior

Lago Superior

Lago Inferior

Ilha

Lago Superior



12 de novembro de 2015

Tradições e as Galerias Lafayette

Ontem foi feriado em França, de quê? Deixa cá ver... armistício de 1918, o dia que marcou o fim dos combates da I Guerra Mundial. E o que fazer num feriado em que tenho o J em casa e M também? Montras de Natal, what else? E lá fomos nós contentes da vida e imaginando qual seria a decoração de Natal deste ano, como será a árvore? Qual será o tema? Como serão as luzes? Como, como, como? E neste rebuliço que talvez ocupasse só a minha mente tranquila, dei-me conta de que uma tradição se criou, uma tradição nasceu numa terra que não me pariu e sorri um sorriso agridoce.


As montras estavam lindas, luzes, luzes e mais luzes, nas Galerias Lafayette o tema deste ano é a Guerra das Estrelas, aproveitando seguramente o lançamento do filme para o final deste ano, marketings e cenas, mas quem é que pensa mesmo nisso? Quem é que se detém a pensar em toda uma estratégia quando se vê em frente àquelas vitrines? Quem? Certo... nobody gives a shit. Pensamentos à parte, que "gandas" montras! Tão lindas!




Entre criancinhas e pais e turistas e pisadelas e encontrões e a vontade de os partir a todos, lá fomos ver a dita árvore de Natal e posso dizer-vos que não ficou a dever nadinha às minhas expectativas. É linda, de cima, de lado, de baixo, linda.



Saíndo das Galerias Lafayette e tentando driblar as milhares de tentações que encontramos pelo caminho dirigimo-nos para as galerias Printemps, uma versão das Galerias Lafayette menos frequentada pelos turistas mas que também vale a pena visitar. E pelo terceiro ano consecutivo surge a discussão: quais são as montras mais bonitas deste ano? Lafayette ou Printemps? Ahh não sei, olha que Guerra das Estrelas e tal, mas olha que a montra Louboutin também tinha aquelas coisas sabes? Aquelas coisas giras e até os sapatinhos tinham a sola vermelha, tão giro!



E entre fotos e discussões tornamo-nos cada vez mais parte de uma terra que não é a nossa mas que aos poucos nos vai agarrando. E vocês, de qual gostaram mais?






22 de julho de 2014

Saudades de Portugal

Desde que cheguei a Paris, faz já 8 meses, a pergunta mais comum é "tens saudades?". Confesso que ainda não tinha sentido verdadeiramente saudades. É tudo novidade, é tudo descoberta, todas as semanas é possível passear por um sítio que ainda não conhecemos, em casa só falamos português, só comemos português, portanto, não, para mim não havia lugar para saudades. Até ao momento em que fui a Portugal de férias e enquanto sobrevoava Gaia e vi o rio, comecei a chorar. Se me perguntarem o que pensei ou se posso até explicar o porquê de começar a chorar assim, também não sei. Foi como se de repente alguém tivesse tirado a tampa de uma coca-cola que inadvertidamente havia sido agitada. Acho que a minha tampa saiu quando o Douro apareceu. E o mais estranho disto tudo é que eu nem estava assim tão entusiasmada por ir a Portugal, sim, estava contente, mas não estava o meu contente "eufóricó-excitado". O avião aterrou e juro que me passou pela cabeça aquela imagem de filme em que eles se ajoelham e dão beijinho no chão. Certo, nojentinha como eu sou, afastei de imediato essa ideia, mas continuei com vontade de beijar Portugal.
Digo-vos que nunca me senti tão cansada como nestas férias. Desdobrei-me para fazer tudo o que eu quis, estar com todos que consegui e comer tudo que a minha barriga permitiu. Deitei-me às 5h e levantei-me às 8, fiz mil e uma coisas correndo entre elas, mas parava no entretanto. E tudo, mas tudo, girou em torno de comida. ahh e que falta me faziam as tostas mistas, as torradas, as meias de leite, os pastéis de chaves e as francesinhas. E agora que voltei percebi, como se manifestaram as minhas saudades de forma a que eu não fosse capaz de as identificar: falta de sal. Uma profunda, imensa e insolúvel falta de sal. Aqui tudo é doce, colorido, bem desenhado e bem cortado. Quadradinhos açucarados perfeitamente medidos e decorados. Tudo é simétrico e repleto de esquadrias. Infelizmente eu não sou uma moça de açúcar, sou uma rapariga de sal, muito sal. E esta insatisfação constante que não é saciada por mais queijo que coma é porque me falta um sal que aqui não se encontra. O sal dos pastéis de chaves acabados de fazer, com a sua massa folhada a escorrer gorduras que nos fazem tão bem ao coração, os rissóis que eu tanto gosto de comer depois de uma queijada, o sal das tostas mistas numa manhã de Verão antes da praia e seguidas do cigarro, o sal das francesinhas regadas a cerveja, o sal do mar que aqui é apenas uma recordação. Sim, tudo aqui é muito doce e a mim falta-me o sal.

18 de fevereiro de 2014

Paris e o Amor

Todos os dias quando regresso a casa vinda do trabalho, passo por um daqueles restaurantes a que já me acostumei a ver aqui em Paris, esplanadas em pleno Inverno, cheias de gente, com aquecedores que fazem inveja a qualquer aquecimento que qualquer um de nós posso ter em Portugal. E é num destes restaurantes que pelo menos uma vez por semana vejo um casal sentado na esplanada por volta das sete e meia a beber uma taça de champanhe. Parece-me que cada um deles deve ter os seus 50 anos, ele tem sempre um chapéu, muito habitual entre os franceses e um casacão que lhes dá cá um charme! Ela é morena e a idade sente-se na cara... mas, não é uma idade pesada, carregada de dores, aquela idade que talvez estejamos mais acostumados a ver em tantas das mulheres que passam pela nossa vida. Esta tem uma idade "madura" na cara. Uma idade que se deseja só de olhar para ela. E é bonita sabem? A idade que ela me mostra. Eu "gosto-a" bastante e sempre que a/os vejo, imagino como é que a idade a tratou tão bem, como é que ela conseguiu aquelas cores, aquelas rugas específicas, aquela flacidez que a torna ainda mais bonita. Será que foi aquele homem sentado ao lado dela a beber champanhe? Ou talvez todo um conjunto de homens de chapéu que a levaram durante toda a sua vida a beber um copo de champanhe uma ou duas vezes por semana.
Observo-os ali, sentados ao frio, ele com o seu chapéu, ela com o seu cabelo castanho e o seu casaco de peles e imagino de que se fazem as suas conversas. De trabalho? Filhos? Será que têm filhos? Aquela mulher não me parece tocada por filhos... e no entanto, tudo nela me mostra uma mãe. Amor? Será que falam de amor? Quem é que se senta numa esplanada a beber uma flute de champanhe se não for para falar de amor? E se não falam, tenho a certeza que o sentem, vê-se nas rugas dela e no sorriso dele...


11 de novembro de 2013

Os franceses... têm o nariz seco

Hoje acordei com o meu nariz tão seco, tão seco que tenho a certeza que se lhe tocasse explodia. Não sei como é que eles aguentam esta "chauffagem" o Inverno inteiro!!! Estou aqui há 5 dias e de cada vez que acordo sinto que a "ranhoca" se aproxima perigosamente do cérebro, cada vez me custa mais pensar e quase juro que a culpa é da "ranhoca". Consequência da "chauffagem", hoje estou doente, dói-me a garganta, a cabeça, o corpo, MON DIEU DE LA FRANCE!!!!! Não posso ficar doente agora!!! Paizinho, fica descansado, já tomei um brufenezinho (sim, eu comi primeiro e tomei depois) e agora estou aqui enroladinha no quentinho com a dita "chaufagem" ligada.
Dia 11 de Novembro é feriado cá por França, dia do Armísticio, por isso a Momi não trabalhou e decidimos ir passear. Apanhamos o Metro, linha 8 e seguimos até aos Invalides, esta já é vossa conhecida, daí apanhamos a linha C do RER (comboio cá da zona) até Épinay-sur-Seine, onde a R., uma amiga da Momi, nos esperava para almoçarmos com ela.
Seguimos para casa dela, onde tivemos oportunidade de conhecer a Z., a mãe da Radija. A casa é fantástica, grande e com decoração marroquina ( a R. e a mãe são marroquinas). Gostei muito e gostei mais ainda da Z., a típica mãe do nosso imaginário infantil, baixinha, redondinha, simpatiquinha, afável (muito afável) e excelente cozinheira. Deviam ver aqueles sofás!!! Que LINDOS!!! Enquanto me babava para cima deles, explicaram-me que se eu quisesse era muito fácil encontrá-los em Paris, fico feliz, mas não sei se vou ter espaço para um sofá. De seguida perguntaram-me se eu gostava de couscous, uma vez que seria o almoço, "Madame" a Sóninha ADOOOOOOOOOORA couscous, muito, muito obrigada. Estava fantástico!
Após o almoço, seguimos para o Palácio de Versailles. À chegada a Momi explicou-me que aquilo é a explicação da nossa expressão "à grande e à francesa", tudo que vos possa dizer vai ficar aquém do que o Palácio é realmente, é de cortar a respiração e eu nem sequer entrei, visitei apenas os jardins. E os jardins... tenho a certeza absoluta que fui uma rainha noutra vida, senti-me em casa e de cada vez que fechava os olhos imaginava-me com um daqueles vestidos compridos a passear pelos jardins (sem o corpete... naturalmente). Os jardins são de contos de fadas, labirintos, lagos, árvores a perder de vista e estava um frio tão bom, enfim, eu acho que houve magia ali algures ou então eu levei-a até lá. Caminhamos durante duas horas e não vimos tudo, da próxima vez que lá voltar irei visitar o Palácio com toda a certeza. Finda a visita já só queria regressar a casa, a garganta doía-me cada vez mais e a cabeça também não estava a ajudar.
A viagem de volta custou muito, são pelo menos 30 minutos (sem contar com o metro) e doente não tem fim.
Agora estou aqui, a queixar-me de 5 em 5 minutos e a dizer que vou morrer (prática habitual da Sóninha quando está doente), que me dói muito a cabeça e a garganta e o corpo e "aiiiiiiiiiiiiii tou tão mal". Meninas mimadas são assim, obrigada Família. Ahhhh e se pensam que só faço isto quando estou acompanhada, desenganem-se, queixo-me até às paredes e fico à espera que acedam aos meus queixumes e me venham dar miminhos enquanto choramingo. Se ainda não repararam, eu sou tão queixinhas que usei estas últimas linhas para me queixar a vocês também, "aiiiiiiiii que eu tou tão mal".

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Sentem?

9 de novembro de 2013

Weekend à Paris

Ontem, aproveitei mais uma vez para dar a minha caminhada e desta vez fui munida de máquina fotográfica. Como já vos havia dito, os prédios são absolutamente "deliciosos"!!! Um dia ainda vou ter uma " maison" num deles!!!! Estava uma manhã bem fria e o dia ainda estava a acordar, não se via muita gente na rua por isso a caminhada ainda me soube melhor:
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Olhem só este ínicio de dia, não vos faz sentir que o mundo é todo nosso???

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Vejam só aquelas janelas...

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É neste que eu quero uma casa :D
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No caminho passei por um "Monsieur" que estava a passear o seu bulldog, não consegui evitar o sorriso e tive mais uma demonstração de simpatia parisiense, "Bonjour Mademoiselle", fiquei tão contente!!!! Bonjour Monsieur e para ti também bulldog fofinho!!!!
A manhã passou bastante rápido hoje levei o baby H ao McDonnalds (Mcdô para o baby H). Na preparação para a ida, o baby não parava de dizer "la poussette" e eu lá lhe ia dizendo: não te estou a perceber. Ele, como a coisinha fofinha que é, disse-me em francês: quando descermos as escadas eu mostro-te. Chegados ao fundo das escadas percebi finalmente o que é "la poussette":

Imagem intercalada 6
E diz ele: é preciso levar "la poussette" para eu não me cansar! AHAHAHHA Ah bom, já podias ter dito. Lá fui eu, sem carta, nem experiência a passar com a poussette por 50000 portas que o prédio tem, a maior parte delas bem mais pesada do que eu, e o baby H lá ia, felizmente sem se cansar... já eu...
O nosso primeiro passeio revestiu-se de uma série de nervos à mistura, desviar de árvores, pessoas e animais, atravessar ruas, tudo me causava aflição. Finalmente lá conseguimos chegar ao "McDô". Fiz o nosso pedido sem grandes problemas e enquanto aguardava, "paniquei": COMO É QUE EU VOU FAZER PARA LEVAR O TABULEIRO, A POUSSETTE, O BABY E TUDO E TUDO E TUDO????? Comecei a pensar nas hipóteses e decidi que quando o pedido estivesse pronto ia encostar a poussette numa mesa, com o baby lá dentro, voltava muito rápido para ir buscar o tabuleiro enquanto olhava para o baby e depois voltava a correr ao mesmo tempo que evitava que os hamburguers voassem. Fui espreitar as mesas... ESTAVA TUDO CHEIO!!!!!!! F********* Restavam umas mesas altas que não me pareciam as melhores uma vez que o Baby H podia caír do banco... olhei para as escadas que davam para o 2ºandar e exclui logo essa hipótese:

- tinha de subir com o Baby H e o carrinho
- depois tinha de deixar o Baby H e o carrinho
- Ambos iam ficar fora do meu campo de visão
- e não vale a pena enumerar mais nada....

Fiquei com as mesas altas, encostei lá a poussette, fui buscar o tabuleiro e voltei para junto do baby H em dois passos. E mais uma "canseira": tirâ-lo da poussette, tirar cachecol, casaco, sentar no banco, depois ficar colada a ele com medo que ele caísse do banco enquanto tirava o meu casaco já toda transpirada, sem fome nenhuma e com os batimentos cardíacos a mil. Começamos a comer (eu devorei o meu hamburguer para estar atenta ao que ele estava a fazer)e nisto aproxima-se um homem com uma mochila às costas e começa a falar comigo, se eu estava nervosa naquele momento fiquei a mil, não estava a perceber nada do que o homem dizia, e eu sem saber o que fazer... Manual de Sobrevivência da Sóninha: pus alta cara de má e fiquei a olhar para o homem: "Moço põe-te a montes ou dou-te um chapo à Paizinho" e funcionou. Ufa já só queria saír dali a correr. Comecei a fazer "altos filmes" na minha cabeça, perseguições e tal, OH MEU DEUSSSSSSS!!!! Esperei impacientemente que o baby terminasse, agarrei nele e pirei-me, literalmente PIREI-ME!!!! E à saída ainda consegui ficar com a poussette presa na porta!!!! MON DIEU DE LA FRANCE AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Chegados à rua lá segui caminho, sempre a olhar para todo o lado, volta e meia atravessei a rua para despistar caso alguém nos seguisse (AHAHAHAHAHAH SIM SOU PA-RA-NÓI-CA) e finalmente "la maison". Ai que PUTO DE ALÍVIO!!!!
O resto do dia foi tranquilo com os desenhos animados e a plasticina (pâte à modeler) até que o baby H descobre que eu sei ladrar e também imito o Pato Donald e a partir daí foi o tempo todo "Sôniáaaaaaaaaaaaa encore". Eu sabia que estas minhas "skills" iriam dar muito jeito... um dia.




8 de novembro de 2013

Os camarões

Hoje acordei com a sensação de que ainda estava em "casa", na Maia da Sónia Maia, abri os olhos e ainda tive uns momentos para focar e perceber que afinal estou noutro sítio. A luz já entrava pelas janelas quando despertei. Agora, a minha cama já não é rente ao chão, é mais rente ao tecto, sabem aquelas caminhas todas "catitas" do Ikea que dá para pôr um sofá por baixo? Oui, a minha cama é assim e é tão grande que posso dormir atravessada sem ter sequer que encolher as pernas. Levantei-me devagarinho, a chuva caía soltinha lá fora e pela primeira vez dei graças pelo aquecimento que os franceses têm. Dormi com uma coberta fininha e a dada altura tive de me destapar tal era o calor. Café com leite e torradas, torradas essas barradas com uma manteiga que tem literalmente pedrinhas de sal!!!! SIM!!! É TÃO BOM!!!! Ainda bem que sou hipotensa! A cada dentada no pão anseio pela surpresa da pedrinha salgada a estalar nos dentes, ahhh ei-la.
De manhã não fiz grande coisa, agarrei-me ao portátil enquanto tinha como ruído de fundo um qualquer canal francês. Já me começo a acostumar ao NCIS dobrado, mas acreditem que dói muito ouvir o Gibs falar francês, lá se vai o charme todo. De volta ao portátil, pesquisei algumas lojas online de artesanato (preciso urgentemente de voltar a acumular tintas, pincéis, colas e guardanapos), lá dei com o nome que usam em francês, loisirs créatifs, e surgiram uma série delas. Titis, os preços não são mais elevados e confesso que em alguns casos, principalmente colas e vernizes é um bocadinho mais barato, verdade!!!!
Depois dos loisirs créatifs foi a vez dos cupões de desconto e mais uma surpresa, existem mais sites com esses cupões mágicos e mal posso esperar pelo momento em que me apresento na caixa toda vitoriosa carregadinha desses amiguinhos redutores de preços.
No final da manhã fui com a Momi ao Monoprix fazer as compras para o almoço, à porta deparamo-nos com uma bancada de peixe (na rua mesmo!) e decidimos comprar camarões, 5€ de camarões pediu a Momi e o Monsieur lá encheu um saquinho de papel térmico com os ditos bichinhos. "Madame pus mais um bocadinho", mas pagamos na mesma 5€, merci Monsieur, muito simpático, outra  vez. Já no interior compramos mais algumas coisas, batatas para acompanhar o camarão, queijo para alegrar a Sóninha, café, açúcar, sumo de laranja e água, este era um dos meus receios, como sabem não serve qualquer uma. Lá andei de volta dos rótulos das garrafas até que encontrei uma em que o resíduo seco/mineralização total era inferior a 150, perfeito, esta já não me vai saber mal. Antes de chegar à caixa paramos no corredor dos amaciadores, preciso sempre, sempre, sempre do meu Fructis caracóis, aqui passa a boucles, temia pelo preço e mais uma surpresa, 3€, mais ou menos o mesmo que em Portugal.
E o almoço foi? Batatas cozidas com camarões e molho de manteiga com limão!!! Mon Dieu de la France!!! Não é que os camarões falaram francês???? E a  cada dentada diziam: Oui Sóninha, estamos aqui para te fazer feliz (tudo em francês, je vous jure!!!)

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No final não sobraram nem para dizer Au revoir!!!
Hoje conheci os senhores do 3ºandar, Monsieur e Madame H., donos do apartamento que eu vou limpar uma vez por semana. O apartamento é o sonho de todos aqueles que tal como eu gostam de tectos trabalhados, espelho antigos, enfim, vintage, vintage, vintage, sim João, como dirias tu, coisas de "velhos", mas eu gosto taaaaaaanto!!!!! A Madame e o Monsieur H. são muito simpáticos, a Momi acompanhou-me, por isso eu estava com muita vergonha de falar, limitei-me a oui e non praticamente o tempo todo (mas entendi tudo o que foi dito), e claro a Momi, num  dos seus acessos de sinceridade suprema diz em francês: então, tu é só oui e non, diz qualquer coisa! A minha reacção ao escrever isto agora é AHAHAHAHAHAHAHA, na altura foi: um buraco por favor e um balde de água porque a minha cara está em chamas!!!! Pas de probleme!!! A conversa continuou, kit Sóninha de Sobrevivência e lancei o meu sorriso "brilhantinhe" (já com o upgrade para francês e com som em francês também: uuhuhhuhuhuhuhhuhuh com direito a mãozinha na frente da boca) Momi que "engraçade que tiu es"!!! Titis, isto funciona sempre, as personnes adoram sorrisos e Paris não é excepção. No final fiquei com a sensação que conhecia o Monsieur H. de algum lugar, hoje enquanto conversava com o João ao telefone lembrei-me!!!

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É O TIO DO HARRY POTTER!!!!!!! SÉRIO!!!!! Cabelinho mais branco, mais alto também, mas é ele!!!!!! IGUAL!!! Já viram??? Vou limpar a casa dos Dursley!!!
É verdade, ainda não vos tinha dito, deixei de ser Sónia e agora sou Sôniáaaa, parece que o meu nome ganhou uma nova dimensão. Continuando, fartei-me de brincar com o baby H., entre pistas, casas do Mickey, livros dos Cars, lá nos sentamos a ver o canal Disney e voltei à minha infância! Depois de ver 20 temporadas de Naruto seguidas regressei à Disney e foi Aladino, Winnie the Poo, a Pequena Sereia e tudo, tudo, tudo em francês. Já descobri como vou desenvolver a língua, Canal Disney Junior!!!! Os bonequinhos até fazem movimentos a explicar as palavras, ESPECTÁCULO!!!!!
Dia terminado, estive 4 horas sem fumar e não me queixei, cheguei à rua, comecei a fumar e decidi vir a pé, e foi aqui, que a magia aconteceu. As ruas cheias de gente, os restaurantes, as lojas, as patisseries (pastelarias) e mais umas quantas, é ABSURDAMENTE LINDO!!! E os prédios????? Prometo que amanhã tiro fotos para verem!!! Fui o tempo todo a tentar olhar para dentro das casas e a imaginar a vida desenrolar-se por detrás das janelas, numa vi um lustre que me fez sonhar com outros tempos:

Imagem intercalada 3

É, tudo aqui parece mágico, pelo menos aos meus olhos "vintage". Estava um frio tão bom, mas tão bom que só dava vontade de vaguear pela rua a observar as pessoas, a imaginar para onde iam, em que pensavam, vão para casa? Têm um rendez-vous? Quem são vocês que se passeiam por estas ruas como eu? Vêm de Portugal também? Os sonhos preenchem-vos os dias? Ficam loucos quando pensam em queijo ou preferem um chocolate quente e um livro na esplanada do Starbucks? Ahhhhh Paris, estou a curtir-te!!!!
Beijinhos e Abracinhos
Sóninha/Xaninha a brilhantinha a brilhar mais ainda na Cidade das Luzes